Wednesday, April 18, 2018

Ciberativismo 1: "We Are Legion" x "Polegarzinha"




Você já deve ter ouvido falar no movimento Anonymous alguma vez na sua vida. Durante as calorosas e barulhentas manifestações da Primavera Brasileira, em 2013, o grupo virtual foi um dos #TrendingTopics discutidos pela sociedade no país. Apesar do - inclusive, já superado - hype, a organização atualmente se constitui como uma das mais relevantes do mundo, dentro do contexto do ciberativismo - assunto que será discutido durante todo o semestre por nossa equipe. Somos estudantes de comunicação da Universidade Federal da Bahia, e esta resenha é uma atividade feita por Ana Esther Gomes, Robert Lima, Filipe Oliveira, Welljobert e Leon Kamp, para a matéria dirigida pelo professor André Lemos, COM 114, Comunicação e Tecnologia.


Muito da importância do Anonymous se deve ao modus operandis e a forma de pensar do grupo que já evidencia seu caráter plural, subversivo e aglutinador pelo nome. O documentário “We Are Legion: The Story of the Hacktivist” (“Nós somos uma legião: a História dos Hackers ativistas”), lançado em 2012, mostra exatamente essas e outras múltiplas faces do movimento, através de relatos de membros da comunidade espalhada ao redor do mundo. Pessoas, talvez tidas como “cidadãs comuns”, que através da internet e do conhecimento sobre tal artefato se posicionaram e se organizaram em prol de mudanças reais, do ponto de vista político e social.


Este documentário se relaciona diretamente com o primeiro capítulo do livro Polegarzinha, de Michel Serres - primeiro texto lido pela turma neste semestre. Primeiramente, no que diz respeito ao conceito de descentralização e democratização da informação. Esta ideia é debatida por Serres e se evidencia no longa através dos casos trazidos nos quais o ciberativismo esteve presente na vida das pessoas, de forma a proporcionar-lhes o direito de espaço e de ter sua voz ouvida.


Uma das situações demonstradas no documentário refere-se à Primavera Árabe no Egito, em 2012. Durante uma série de confrontos entre diferentes segmentos da sociedade, o governo egípcio “desligou” a internet do país, na tentativa de abafar as catástrofes e condições subumanas ocasionadas pela guerra civil. Através de um processo jurídico, político e global o  Anonymous interviu e garantiu o restabelecimento de um dos direitos inalienáveis para nós enquanto ocidentais - a liberdade de expressão. Neste caso, muito além da liberdade de expressão, foi reestabelecida, antes, o direito à informação gratuita.


O filósofo francês Serres preconiza, em “Polegarzinha”, justamente a descentralização da informação, através da falência da figura dos “detentores do conhecimento”, e por assim dizer, do consequente empoderamento do indivíduo, a partir do acesso à informação. O autor descreve a contemporaneidade como um momento propício para o processo de compartilhamento e troca constante de dados, conteúdos, de maneira que o conhecimento não se deposita e se estabelece em apenas um lugar, mas sim, está em todos os lugares ao mesmo tempo, disponível para todos, à ponta do dedo - daí o nome do livro.


Para a população que sofria no Egito, em 2012, tal premissa fez total diferença. Eram mandadas instruções de como se proteger de gases nocivos, pois estava acontecendo uma guerra real e sangrenta entre protestantes e governo. Tudo isso contribuiu para que houvesse uma mudança significativa naquela situação.


Outros aspectos de “Polegarzinha” também podem ser correlacionados com o documentário. Tais quais: a qualidade de vida e aumento da longevidade proporcionados pelo advento de aparatos tecnológicos, o agrupamento e organização de pessoas através das redes sociais e a internet como ferramenta multiplicadora de diferente formas de expressão. Vale a pena conferir o documentário: